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NAS POSTAGENS A SEGUIR, EXPERIÊNCIAS DE VIAGENS, DICAS DE LUGARES INTERESSANTES, NOSSAS PESQUISAS E OBJETOS

domingo, 21 de março de 2010

Deserto de Sal na Bolivia, Salar de Uyuni









Lugar único o altiplano boliviano... Vizinhos nossos, e um outro mundo. Parque Nacional de Sajama com seus grandes vulcões nevados, vegetação bizarra, luz absurda num cemitério de pedra e flores azuis flutuando a quase 5000 metros de altitude..:














A velha cidade de Potosi no século XVII apenas Paris e Nápolis tinham população maior. Lugar de riqueza mitológica, dizia–se que o metal existente naquelas minas daria para construir uma imensa ponte de prata entre a Bolívia e o Reino de Espanha..:









Até hoje existe muito bem conservada a enorme Casa de La Moneda, velha fábrica de moedas de prata do império espanhol, movida com a força de cavalos e homens. No piso ainda original com enormes tábuas, a marca de pegadas de séculos de exploração da população indígena que transformou a maior mina de prata do mundo na montanha que domina a cidade numa paisagem hoje quase morta.










Parte da Casa de La Moneda foi transformada num interessante museu. Entre tatús de prata maciça, múmias de crianças e lindas pinturas anônimas, um inacreditável Cristo descabelado e de saia:








Pela região toda, estradas irreais, cores e paisagens de beleza assustadora:










E o grande Deserto de Sal de Uyuni ! Imensidão branca e azul, tudo é extremo e radical. Temperaturas abaixo dos 20º C. nas noites de inverno, o céu azul escuro combinado a um sol tão próximo, ventos terríveis, beleza desconcertante. Para quem chega pelo caminho menos conhecido (e mais bonito), que culmina na cidade meio fantasma de Tahua, a primeira visão que se tem de Uyuni é essa:








Nos meses de verão, raras e rápidas chuvas criam uma delicada cobertura de água com 10 centimetros de espessura sobre o absolutamente plano Salar, a água não consegue penetrar na compacta e espessa camada de sal que forma o deserto. Cruzar as dezenas de quilômetros entre um limite e outro (centenas, dependendo da direção) só com um bom 4x4 munido de bussula. Literalmente navega-se num Jeep perdido entre horizontes indefinidos, deixando-se atrás um enorme rastro de névoa salgada, entre miragens de montanhas que se confundem com as formas abstratas de nuvens refletidas perfeitamente na lâmina d'água.
















Um dos destinos dentro do salar é a isolada Ilha Incahuasi com seus enormes cactos alaranjados. Cada metro que cresce um cacto desses atestam 100 anos de vida, e existem cactos que chegam aos 12 metros de altura...ou 1200 anos! Ali, algo turístico, um pequeno restaurante. Mas ainda bem...nada como um sanduiche e uma bebida gelada no meio daquela imensidão. E as poucas construções na ilha (o restaurante, banheiros e uma lojinha) respeitam o ambiente, feitas de sal, palha e miolo de cactus, com cores que se confundem com a paisagem.












Mesmo na época das poucas e rápidas chuvas (o verão) nem todo o Salar fica inundado, e o truque para encontrar o caminho de saída e não ficar andando em zigue zague é achar uma das trilhas dos pneus dos carros.








Hotéis de Sal ficaram famosos no Salar. Quase todos (uns 5) são de mau gosto e agridem o ambiente puro do lugar. Alguns viraram espécies de Disneylândias, com mochileiros barulhentos, bêbados e felizes demais e horríveis esculturas de lhamas, fadas e estátuas da Liberdade em miniaturas feitas de blocos de sal maciço.

Uma boa indicação é o Hotel de Sal Tayka, em Tahua, uma das cidades no limite com o Salar (a outra é Uyuni, com mais opções de hotéis, restaurantes e agências de turismo, mas a chegada ao deserto por ali não é tão impressionante), aos pés de um grande vulcão.








Correta e simples arquitetura, construido todo em blocos de sal, portas de cactus, banheiros confortáveis revestidos em pedra negra vulcânica, respeito ao ambiente, tecidos autênticos, bons preços (caro para os padrões bolivianos, por volta de U$ 50/casal, mas vale a pena...). A comida é mais ou menos, carne de lhama (em toda a Bolivia se come, é leve, sem gordura, lembra vitela) e omeletes...mas nada que um bom e surpreendente 'vinho de altitude' do Altiplano Boliviano como os produzidos por Campos de Solana ou La Concepción não resolvam.

Dentro do tema gastronomia, a marca boliviana de chocolates El Ceibo é um dos melhores e mais sofisticadas do mundo. Não é fácil de encontrar, quase tudo é exportado para Europa, mas se achar o de 77% de puro cacau com cristais de sal de Uyuni, compre todos.













Tudo é estranho e novo. A noite, o ar muito seco, até a chama das velas no quarto do hotel são muito longas e quietas devido ao ar rarefeito da grande altitude.








Essa viagem foi feita num grande Nissan 4x4 alugado. Não é um percurso fácil. Placas de indicação não existem, postos de gasolina são raros (o jeep deve ter dois tanques ou um reservatório extra de combustível), estradas desaparecem no meio do nada, rios e mares de lama aparecem ameaçadores, porteiras fechadas com correntes se abrem para vales perdidos com centenas de lhamas e alpacas sorridentes.








No meio da estrada pode surgir uma absurda barreira de pedras empilhadas. As vezes significa uma volta de dezenas de quilômetros, viajar à noite, o Medo!








Conselho: melhor não viajar completamente independente se você não tiver muitas semanas e disposição para ficar perdido. Aconselhamos a Agência Lipiko , eles podem ajudar com um bom guia, carro adequado, percursos planejados, etc.









E se você for começar sua viagem por La Paz, legal ficar no Hotel Rosario. Bem localizado na parte mais divertida da cidade, perto das ladeiras povoadas com bruxas e lojinhas de amuletos, dos mercados de rua, das velhas igrejas e mosteiros. Agradável, pessoal simpático e informado, boa comida, bons preços.










Trazidos de lá, no Estudio Manus uma jarra em prata de Potosi e um bicho-objeto feito com batatas desidratadas, tratadas nas águas de degelo das neves andinas e no sol.







Um comentário :

Novo Move disse...

Sou muito fã. E convido vocês para passarem no novo move. Gostaria de indicá-los no meu blogroll: posso? Abraço!

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