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NAS POSTAGENS A SEGUIR, EXPERIÊNCIAS DE VIAGENS, DICAS DE LUGARES INTERESSANTES, NOSSAS PESQUISAS E OBJETOS

domingo, 6 de dezembro de 2009

Alguns dias em Myanmar / Burma / Birmania




Apesar de ser o maior país do Sudeste Asiático continental, permanece ainda um lugar misterioso, mágico, único. Um povo delicado, gentil, apesar de seu governo ditatorial militar que há 60 anos controla o país e que mantém Aung San Suu Kyi , prêmio Nobel da Paz desde 2000 mantida em prisão domiciliar, e que chegam ao ponto de entrar em terríveis atritos com os monges desse que é um dos maiores países budistas do mundo.




Nessa postagem estão apenas algumas impressões e memórias de lugares que surpreenderam e ficaram gravados na nossa vida para sempre. O país merece ser conhecido e descoberto muito mais.
A primeira e inesquecível surpresa que se tem ao chegar ao país é ver no rosto das mulheres, crianças e alguns homens uma espécie de maquiagem que usam no dia a dia, a Tanaka. É uma serragem de madeira nativa usada para proteger e refrescar a pele, que cada um usa, sempre, dia e noite, no rosto e braços, com diferentes desenhos e padrões, todos lindos. Bolinhas, folhinhas, riscos, desenhos abstratos, como que representando tribos, familias, momentos da vida.





A capital, Yangon, é escura, espalhada, incompreensível. Achar um restaurante é difícil, combinar preços e endereços com os duvidosos taxis é uma aventura, mas existem lugares incríveis, estranhos, surpreendentes.




Um deles é o principal Templo do país, o Shwedagon Paya. Uma imensa estupa que a origem se perdeu entre os anos 600 e 1000, rodeada de outras pequenas estupas, tetos entalhados, estatuetas de mármore de animais sagrados, rituais de varrer o chão de mármore, painéis de neon, monges e pessoas dormindo. Na nossa visita, essa estupa estava sendo restaurada, e os andaimes de bambú eram uma imensa e assustadora escultura efêmera. Na pontinha dela, rubis, diamantes e safiras gigantes, diz a lenda.










Espalhado por Yangon existem dezenas de outros templos, alguns lindos, outros toscos e bizarros. Budas deitados com enormes olhos de vidro, num sincretismo de Budismo, astrologia, cobras alimentadas com galinhas vivas, neon e fragmentos de mármore milenares.







Outro lugar interessante é o Grande Mercado Bogyoke Aung San, com 2000 lojas que misturam tudo: poções mágicas, remédios ocidentais contrabandeados, bonecos fantoches do teatro tradicional, a maravilhosa laca birmanesa, antiguidades, comida, tecidos, roupas feitas na hora...e com seu sistema de combate a incêndios com baldinhos vermelho.


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Visitar Myanmar é como voltar no tempo. Bancos, farmácias, postos de gasolina, fábricas, não se vê nada disso. As estradas atravessam vilarejos de casa de palha com telhado de folhas de tabaco iluminados com lamparinas e velas. Carros são raros, caminhões usam motores de bombas de água adaptados, e o veículo que mais se vê são enormes carros de boi.






Se você viajar de carro, provavelmente vai alugar um carro com motorista em Yangon. Prepare-se para estradas muito, mas muito ruins. A gasolina se compra no mercado negro, não existem postos, as garrafinhas de gasolina ficam escondidas na casa de alguém, existe todo um código secreto para abastecer um carro.

Na imagem abaixo, um posto de gasolina de estrada em Myanmar, ou o mais "oficial" encontrado...





Uma viagem de uns 200 km pode demorar mais de 10 horas, as estradas somem, reaparecem, viram um caminho arrasado pelos buracos e pela lama... mas é a maneira de se surpreender, encontrar cidades perdidas, portais dando para o nada, inacreditáveis cenas kitsch budistas de gesso perdidas em campos de arroz, montanhas floridas salpicadas de estupas brancas.

Abaixo, algumas cenas de estrada.













Outro lugar imperdível em Myanmar é a região de Inle Lake, acessível a partir de Yangon por intermináveis estradas e caminhos entre as montanhas, ou por um vôo pela YangonAirway, companhia aérea local com logotipo de elefantinho voador.










Num lago entre montanhas, cidades de palha e plantações flutuantes, pairando sob uma luz irreal e indescritível. Visita-se em longos barcos/canoas com enormes motores de caminhão pequenas fábricas artesanais de cigarros birmaneses, guarda-chuvas, metais, pratarias, lacas, tecelagens, um lugar vivo, ativo, cheio de surpresas e beleza antiga.







Os pescadores têm uma maneira única de remar com os pés enquanto lançam redes em forma de cone, com canoas fininhas, instáveis, numa espécie de ballet impossível.











Uma dessas tecelagens, além das sedas produz também um raro tecido feito com os filamentos da flôr de Lotus, feitos por uma única velhinha centenária. É um tecido raro, caro, sagrado, usado pelos monges mais graduados. Para se tecer um pedacinho de 50x50 cm, são necessárias 8000 flores de Lotus, plantadas pelo lago limpo e transparente onde flutua a tecelagem. O nome desse lugar é Nang Mya Oo, endereço Inn Paw Khone, Inlay , telefone 095211662.







Nesse lago há mercados, flutuantes e nas margens, onde as etnias das montanhas vêm negociar sua produção, onde tudo pode ser surpreendente: a maneira de se amarrar o côco, a pequena flôr no topo do arroz vendido, as tatuagens étnicas dos frequentadores, o casino improvisado no meio do mato com jogos indecifráveis e secretos. O interessante é descobrir qual mercado estará acontecendo no dia da visita, cada um acontece num dia diferente.










Outro lugar interessante, também só acessível por barco, é o Templo Phaung Daw Oo Paya, um grande conjunto de pequenas estupas com um templo principal onde são veneradas cinco pequenas imagens de Buda que vem sendo revestidas de ouro através dos séculos, e hoje viraram 5 esculturas abstratas, estranhas e bizarras.






Outro lugar religioso curioso é o Mosteiro Budista Nga Hpe Chaung, uma antiga construção de madeira sombria, estranha, com monges lendo escrituras infinitas entre teias de aranha e gatos amestrados passeando calmamente.









E uma terceira região que tem que ser conhecida é Bagan, enorme conjunto de mais de 3000 templos ocupando uma grande área próxima ao grande rio Ayeyarwady, caminho fluvial até Mandalay. São templos erguidos com incrível técnica de construção com tijolos, construidos entre os anos 1000 e 1200. Grandes blocos cerâmicos sem emendas, de todos os tamanhos, alguns minúsculos, outros altos e revestidos de ouro, todos maravilhosos e irreais. Alguns com enormes Budas deitados, outros sentados, alguns vazios e silenciosos, outros vivos e repletos de pinturas murais originais, riquíssimas, naturalmente iluminadas por frestas por onde entra o sol.










A melhor forma de conhecer alguns deles (são mais de 3000!) é alugando uma charrete e ir passeando calmamente entre eles, no meio das florestas e campos, acompanhado por nuvens de libélulas vermelhas.
















Na região existem pequenas fábricas artesanais de artefatos de laca birmanesa tradicional, espécies de potes ou marmitas, de todos os tamanhos e formas lindas. As mais preciosas são feitas tradicionalmente, no seu interior, com fitinhas de bambú e crina de cavalo, que depois é tratada e revestida com resinas de madeiras da região, enterrada com carvão, polida, tratada com pigmentos naturais, uma incrível e antiga técnica milenar que resulta em peças maravilhosas e únicas. Uma dessas fábricas é a Tun, falar com a Moe Moe, endereço G/1 Khaung Laung Quarter, Bagan, tel. 061 65063.








Mais imagens dessas e outras regiões de Myanmar / Burma podem ser acessadas em nosso Flickr.

No Estudio Manus, algumas peças trazidas de Burma:








3 comentários :

Anônimo disse...

Hey guys,

I'm seeking help for the children of Haiti.

I'm doing my part for a non-profit haiti group that gives time to
creating an oppurunity for the kids in haiti. If anyone here wants to help then this is the place:

[url=http://universallearningcentre.org]Donate to Haiti[/url] or Help Haiti

They give children in Haiti a positive outlook through education.

And yes, they're a real cause.

Anything would be appreciated

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Andrea disse...

Oi Caio, eu sou amiga do Rene, morei na Asia um tempo. Amei suas fotos de Burma. Eu fiquei in awe when I was there. Sorry for the Enlglish, my Portuguese is awful. I brought me back to a great time in my life. Thank you. Andrea

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