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NAS POSTAGENS A SEGUIR, EXPERIÊNCIAS DE VIAGENS, DICAS DE LUGARES INTERESSANTES, NOSSAS PESQUISAS E OBJETOS

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Kon Tum, Vietnam.




Kont Tum fica nas Terras Altas do Vietnam Central, perto das fronteiras do Laos e do Cambodia, no meio do nada (mapa) .É uma cidade que não se esforça para parecer bonita.Espalhada, árida.Difícil.





O único hotel que dá para encarar é um grande bloco de arquitetura soviética. Dúzias de quartos vazios,semi-sujos , ninguém hospedado.Na recepção com luz azulada, ninguém atrás do balcão de plástico capitonê.Silêncio.Hotel-fantasma.Medo.






O comércio se espalha pelas ruas formando um grande mercado aberto, onde se vende de tudo.Bananas, ouro, uniformes militares usados, estatuetas religiosas misturando macacos com santos católicos.Estranho.





As lojas e negócios parados no tempo.Esquisito.





Uma menininha vende pintinhos no imenso mercado de rua de Kon Tun. Os olhos estão fechados...bizarro.


Ao redor da cidade vivem os povos de etnia Jarai, em pequenos povoados de 50 à 500 pessoas.
Diferentes das outras etnias do Vietnam, como os Hmong e os Tai,não se vestem com roupas coloridas, e seus traços não são tão delicados, têm origem malasio-polinésia.
Também diferente dos outros grupos étnicos e do povo vietnamita em geral, não são tão gentis, delicados e atenciosos.Não dão muita bola para você.Se te fitam, o olhar atravessa e se perde no infinito.Fechados.






Seus costumes também são muito estranhos.Animistas, têm uma relação muito forte com a morte.Nos povoados, as casas de madeira construidas sobre pilotis têm sob elas grandes troncos escavados, que são os caixões onde cada membro da família será enterrado.Maior o poder da família, maiores os caixões e mais cedo eles estarão sob a casa aguardando.Podem estar lá antes mesmo da pessoa nascer.Mórbido.

Quando morrem, no cemitério são enterrados com seus objetos, contando um pouco de sua vida e seus prazeres.Esses objetos ficam expostos, ou semi enterrados.Televisões, teares, pratos de louça, garrafas...





Também suas tumbas contam, com esculturas em madeira, sua vida, suas ações , seu passado.





Após a morte, por períodos determinados por ciclos lunares, a famíla visita o túmulo, cuida, limpa, põe comida.Ás vezes sacrificam junto ao local um grande búfalo, morto à pauladas.Comem o bicho e deixam a mandíbula fincada sobre a tumba.Primitivo, forte.




Mas o povo Jarai também constroi as casas mais lindas do Vietnam.





Altas, muito altas, esguias, elegantes, todas em bambú, madeira e fibras.
Parecem projetadas por um arquiteto de outro planeta.Cada povoado têm a sua, são casas comunitárias usadas apenas para festas e rituais.
Competem em altura e beleza.Lindas.





No topo do telhado altíssimo, uma renda de metal forjado delicadamente.





A estrutura do telhado é toda em bambú flexível.Nas tempestades, os telhados se inclinam com a ventania e voltam à se aprumar mágicamente.
Como grandes velas de barcos, lembrando as origens polinésias desse povo, agora muito distante do mar.





Cada casa tem uma escada-escultura, parecem feitas por Brancusi.Um grande tronco com encaixes para os pés, sempre em número ímpar, 3, 5 ou 7 passos .





Brancusi em seu atelier, auto-retrato.




No Estudio Manus, uma mochila do povo Jarai.

Para chegar à Kon Tum, a melhor maneira é pegar um vôo em Hanoi ou Danang ( cidade vizinha à Hoian, compostagem nesse blog).Os vôos internos pela Vietnam Airlines são baratos .E para conhecer os povoados Jarai e suas casas longas, o escritório de turismo do governo, embaixo do
hotel esquisito, indica um guia da mesma etnia e aluga uma moto , que não custa nada caro.

Um comentário :

Paola Graziella disse...

Parabéns pelo blog! Fotografia é sensibilidade. Um abraço.

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