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NAS POSTAGENS A SEGUIR, EXPERIÊNCIAS DE VIAGENS, DICAS DE LUGARES INTERESSANTES, NOSSAS PESQUISAS E OBJETOS

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sábado, 30 de julho de 2011

Arquitetura Tradicional X Arquitetura Contemporânea em Kyoto




Kyoto é a cidade do Japão onde se pode observar ainda muito da arquitetura tradicional japonesa. Não só nos grandes templos Budistas e Shintoistas, mas também um passeio pela cidade (principalmente no Bairro Gion) é uma sucessão de descobertas de como ocupar um espaço urbano de maneira simples, inteligente e bela.







Esteiras e treliças envelhecidas pelo tempo dão privacidade e sombra no andar superior das construções.







Na sobriedade, delicadeza das construções de madeira, sofisticados detalhes de madeira entalhada preciosamente.







Nas calçadas uma sequência de bambús curvados protegem as fachadas.







Tradicionalmente as madeiras expostas ao tempo são periodicamente tratadas com fogo, recurso utilizado para protegê-las do sol e da chuva.






Em cada detalhe construtivo, simplicidade, funcionalidade e sofisticação. As portas de correr são simplesmente encaixadas, sem trilhos ou roldanas. E funcionam perfeitamente.






E a arquitetura contemporânea de Kyoto se integra perfeitamente ao tradicional, sem agredir e com respeito às proporções e cores.







Lado a lado na margem de um dos riachos que atravessa a cidade, exemplos do tradicional e do atual.






Em meio a madeiras envelhecidas e esteiras, o espaço da Sfera Design é um grande cubo revestido em chapa de metal perfurada com um belo desenho.






 Mesmo num prédio comum vidros refletem as flores de cerejeira da primavera de Kyoto.


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O Estudio Manus criou uma mesa de centro pensando no Japão. É um grande plano construído em tábuas de madeira maciça tratadas carbonizadas à maneira japonesa. Encaixado sobre ela, um vulcão de cerâmica branca lembra o Monte Fuji, peça executada por nossa amiga  Kimi Nii.





domingo, 21 de março de 2010

Deserto de Sal na Bolivia, Salar de Uyuni









Lugar único o altiplano boliviano... Vizinhos nossos, e um outro mundo. Parque Nacional de Sajama com seus grandes vulcões nevados, vegetação bizarra, luz absurda num cemitério de pedra e flores azuis flutuando a quase 5000 metros de altitude..:














A velha cidade de Potosi no século XVII apenas Paris e Nápolis tinham população maior. Lugar de riqueza mitológica, dizia–se que o metal existente naquelas minas daria para construir uma imensa ponte de prata entre a Bolívia e o Reino de Espanha..:









Até hoje existe muito bem conservada a enorme Casa de La Moneda, velha fábrica de moedas de prata do império espanhol, movida com a força de cavalos e homens. No piso ainda original com enormes tábuas, a marca de pegadas de séculos de exploração da população indígena que transformou a maior mina de prata do mundo na montanha que domina a cidade numa paisagem hoje quase morta.










Parte da Casa de La Moneda foi transformada num interessante museu. Entre tatús de prata maciça, múmias de crianças e lindas pinturas anônimas, um inacreditável Cristo descabelado e de saia:








Pela região toda, estradas irreais, cores e paisagens de beleza assustadora:










E o grande Deserto de Sal de Uyuni ! Imensidão branca e azul, tudo é extremo e radical. Temperaturas abaixo dos 20º C. nas noites de inverno, o céu azul escuro combinado a um sol tão próximo, ventos terríveis, beleza desconcertante. Para quem chega pelo caminho menos conhecido (e mais bonito), que culmina na cidade meio fantasma de Tahua, a primeira visão que se tem de Uyuni é essa:








Nos meses de verão, raras e rápidas chuvas criam uma delicada cobertura de água com 10 centimetros de espessura sobre o absolutamente plano Salar, a água não consegue penetrar na compacta e espessa camada de sal que forma o deserto. Cruzar as dezenas de quilômetros entre um limite e outro (centenas, dependendo da direção) só com um bom 4x4 munido de bussula. Literalmente navega-se num Jeep perdido entre horizontes indefinidos, deixando-se atrás um enorme rastro de névoa salgada, entre miragens de montanhas que se confundem com as formas abstratas de nuvens refletidas perfeitamente na lâmina d'água.
















Um dos destinos dentro do salar é a isolada Ilha Incahuasi com seus enormes cactos alaranjados. Cada metro que cresce um cacto desses atestam 100 anos de vida, e existem cactos que chegam aos 12 metros de altura...ou 1200 anos! Ali, algo turístico, um pequeno restaurante. Mas ainda bem...nada como um sanduiche e uma bebida gelada no meio daquela imensidão. E as poucas construções na ilha (o restaurante, banheiros e uma lojinha) respeitam o ambiente, feitas de sal, palha e miolo de cactus, com cores que se confundem com a paisagem.












Mesmo na época das poucas e rápidas chuvas (o verão) nem todo o Salar fica inundado, e o truque para encontrar o caminho de saída e não ficar andando em zigue zague é achar uma das trilhas dos pneus dos carros.








Hotéis de Sal ficaram famosos no Salar. Quase todos (uns 5) são de mau gosto e agridem o ambiente puro do lugar. Alguns viraram espécies de Disneylândias, com mochileiros barulhentos, bêbados e felizes demais e horríveis esculturas de lhamas, fadas e estátuas da Liberdade em miniaturas feitas de blocos de sal maciço.

Uma boa indicação é o Hotel de Sal Tayka, em Tahua, uma das cidades no limite com o Salar (a outra é Uyuni, com mais opções de hotéis, restaurantes e agências de turismo, mas a chegada ao deserto por ali não é tão impressionante), aos pés de um grande vulcão.








Correta e simples arquitetura, construido todo em blocos de sal, portas de cactus, banheiros confortáveis revestidos em pedra negra vulcânica, respeito ao ambiente, tecidos autênticos, bons preços (caro para os padrões bolivianos, por volta de U$ 50/casal, mas vale a pena...). A comida é mais ou menos, carne de lhama (em toda a Bolivia se come, é leve, sem gordura, lembra vitela) e omeletes...mas nada que um bom e surpreendente 'vinho de altitude' do Altiplano Boliviano como os produzidos por Campos de Solana ou La Concepción não resolvam.

Dentro do tema gastronomia, a marca boliviana de chocolates El Ceibo é um dos melhores e mais sofisticadas do mundo. Não é fácil de encontrar, quase tudo é exportado para Europa, mas se achar o de 77% de puro cacau com cristais de sal de Uyuni, compre todos.













Tudo é estranho e novo. A noite, o ar muito seco, até a chama das velas no quarto do hotel são muito longas e quietas devido ao ar rarefeito da grande altitude.








Essa viagem foi feita num grande Nissan 4x4 alugado. Não é um percurso fácil. Placas de indicação não existem, postos de gasolina são raros (o jeep deve ter dois tanques ou um reservatório extra de combustível), estradas desaparecem no meio do nada, rios e mares de lama aparecem ameaçadores, porteiras fechadas com correntes se abrem para vales perdidos com centenas de lhamas e alpacas sorridentes.








No meio da estrada pode surgir uma absurda barreira de pedras empilhadas. As vezes significa uma volta de dezenas de quilômetros, viajar à noite, o Medo!








Conselho: melhor não viajar completamente independente se você não tiver muitas semanas e disposição para ficar perdido. Aconselhamos a Agência Lipiko , eles podem ajudar com um bom guia, carro adequado, percursos planejados, etc.









E se você for começar sua viagem por La Paz, legal ficar no Hotel Rosario. Bem localizado na parte mais divertida da cidade, perto das ladeiras povoadas com bruxas e lojinhas de amuletos, dos mercados de rua, das velhas igrejas e mosteiros. Agradável, pessoal simpático e informado, boa comida, bons preços.










Trazidos de lá, no Estudio Manus uma jarra em prata de Potosi e um bicho-objeto feito com batatas desidratadas, tratadas nas águas de degelo das neves andinas e no sol.







domingo, 6 de dezembro de 2009

Alguns dias em Myanmar / Burma / Birmania




Apesar de ser o maior país do Sudeste Asiático continental, permanece ainda um lugar misterioso, mágico, único. Um povo delicado, gentil, apesar de seu governo ditatorial militar que há 60 anos controla o país e que mantém Aung San Suu Kyi , prêmio Nobel da Paz desde 2000 mantida em prisão domiciliar, e que chegam ao ponto de entrar em terríveis atritos com os monges desse que é um dos maiores países budistas do mundo.




Nessa postagem estão apenas algumas impressões e memórias de lugares que surpreenderam e ficaram gravados na nossa vida para sempre. O país merece ser conhecido e descoberto muito mais.
A primeira e inesquecível surpresa que se tem ao chegar ao país é ver no rosto das mulheres, crianças e alguns homens uma espécie de maquiagem que usam no dia a dia, a Tanaka. É uma serragem de madeira nativa usada para proteger e refrescar a pele, que cada um usa, sempre, dia e noite, no rosto e braços, com diferentes desenhos e padrões, todos lindos. Bolinhas, folhinhas, riscos, desenhos abstratos, como que representando tribos, familias, momentos da vida.





A capital, Yangon, é escura, espalhada, incompreensível. Achar um restaurante é difícil, combinar preços e endereços com os duvidosos taxis é uma aventura, mas existem lugares incríveis, estranhos, surpreendentes.




Um deles é o principal Templo do país, o Shwedagon Paya. Uma imensa estupa que a origem se perdeu entre os anos 600 e 1000, rodeada de outras pequenas estupas, tetos entalhados, estatuetas de mármore de animais sagrados, rituais de varrer o chão de mármore, painéis de neon, monges e pessoas dormindo. Na nossa visita, essa estupa estava sendo restaurada, e os andaimes de bambú eram uma imensa e assustadora escultura efêmera. Na pontinha dela, rubis, diamantes e safiras gigantes, diz a lenda.










Espalhado por Yangon existem dezenas de outros templos, alguns lindos, outros toscos e bizarros. Budas deitados com enormes olhos de vidro, num sincretismo de Budismo, astrologia, cobras alimentadas com galinhas vivas, neon e fragmentos de mármore milenares.







Outro lugar interessante é o Grande Mercado Bogyoke Aung San, com 2000 lojas que misturam tudo: poções mágicas, remédios ocidentais contrabandeados, bonecos fantoches do teatro tradicional, a maravilhosa laca birmanesa, antiguidades, comida, tecidos, roupas feitas na hora...e com seu sistema de combate a incêndios com baldinhos vermelho.


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Visitar Myanmar é como voltar no tempo. Bancos, farmácias, postos de gasolina, fábricas, não se vê nada disso. As estradas atravessam vilarejos de casa de palha com telhado de folhas de tabaco iluminados com lamparinas e velas. Carros são raros, caminhões usam motores de bombas de água adaptados, e o veículo que mais se vê são enormes carros de boi.






Se você viajar de carro, provavelmente vai alugar um carro com motorista em Yangon. Prepare-se para estradas muito, mas muito ruins. A gasolina se compra no mercado negro, não existem postos, as garrafinhas de gasolina ficam escondidas na casa de alguém, existe todo um código secreto para abastecer um carro.

Na imagem abaixo, um posto de gasolina de estrada em Myanmar, ou o mais "oficial" encontrado...





Uma viagem de uns 200 km pode demorar mais de 10 horas, as estradas somem, reaparecem, viram um caminho arrasado pelos buracos e pela lama... mas é a maneira de se surpreender, encontrar cidades perdidas, portais dando para o nada, inacreditáveis cenas kitsch budistas de gesso perdidas em campos de arroz, montanhas floridas salpicadas de estupas brancas.

Abaixo, algumas cenas de estrada.













Outro lugar imperdível em Myanmar é a região de Inle Lake, acessível a partir de Yangon por intermináveis estradas e caminhos entre as montanhas, ou por um vôo pela YangonAirway, companhia aérea local com logotipo de elefantinho voador.










Num lago entre montanhas, cidades de palha e plantações flutuantes, pairando sob uma luz irreal e indescritível. Visita-se em longos barcos/canoas com enormes motores de caminhão pequenas fábricas artesanais de cigarros birmaneses, guarda-chuvas, metais, pratarias, lacas, tecelagens, um lugar vivo, ativo, cheio de surpresas e beleza antiga.







Os pescadores têm uma maneira única de remar com os pés enquanto lançam redes em forma de cone, com canoas fininhas, instáveis, numa espécie de ballet impossível.











Uma dessas tecelagens, além das sedas produz também um raro tecido feito com os filamentos da flôr de Lotus, feitos por uma única velhinha centenária. É um tecido raro, caro, sagrado, usado pelos monges mais graduados. Para se tecer um pedacinho de 50x50 cm, são necessárias 8000 flores de Lotus, plantadas pelo lago limpo e transparente onde flutua a tecelagem. O nome desse lugar é Nang Mya Oo, endereço Inn Paw Khone, Inlay , telefone 095211662.







Nesse lago há mercados, flutuantes e nas margens, onde as etnias das montanhas vêm negociar sua produção, onde tudo pode ser surpreendente: a maneira de se amarrar o côco, a pequena flôr no topo do arroz vendido, as tatuagens étnicas dos frequentadores, o casino improvisado no meio do mato com jogos indecifráveis e secretos. O interessante é descobrir qual mercado estará acontecendo no dia da visita, cada um acontece num dia diferente.










Outro lugar interessante, também só acessível por barco, é o Templo Phaung Daw Oo Paya, um grande conjunto de pequenas estupas com um templo principal onde são veneradas cinco pequenas imagens de Buda que vem sendo revestidas de ouro através dos séculos, e hoje viraram 5 esculturas abstratas, estranhas e bizarras.






Outro lugar religioso curioso é o Mosteiro Budista Nga Hpe Chaung, uma antiga construção de madeira sombria, estranha, com monges lendo escrituras infinitas entre teias de aranha e gatos amestrados passeando calmamente.









E uma terceira região que tem que ser conhecida é Bagan, enorme conjunto de mais de 3000 templos ocupando uma grande área próxima ao grande rio Ayeyarwady, caminho fluvial até Mandalay. São templos erguidos com incrível técnica de construção com tijolos, construidos entre os anos 1000 e 1200. Grandes blocos cerâmicos sem emendas, de todos os tamanhos, alguns minúsculos, outros altos e revestidos de ouro, todos maravilhosos e irreais. Alguns com enormes Budas deitados, outros sentados, alguns vazios e silenciosos, outros vivos e repletos de pinturas murais originais, riquíssimas, naturalmente iluminadas por frestas por onde entra o sol.










A melhor forma de conhecer alguns deles (são mais de 3000!) é alugando uma charrete e ir passeando calmamente entre eles, no meio das florestas e campos, acompanhado por nuvens de libélulas vermelhas.
















Na região existem pequenas fábricas artesanais de artefatos de laca birmanesa tradicional, espécies de potes ou marmitas, de todos os tamanhos e formas lindas. As mais preciosas são feitas tradicionalmente, no seu interior, com fitinhas de bambú e crina de cavalo, que depois é tratada e revestida com resinas de madeiras da região, enterrada com carvão, polida, tratada com pigmentos naturais, uma incrível e antiga técnica milenar que resulta em peças maravilhosas e únicas. Uma dessas fábricas é a Tun, falar com a Moe Moe, endereço G/1 Khaung Laung Quarter, Bagan, tel. 061 65063.








Mais imagens dessas e outras regiões de Myanmar / Burma podem ser acessadas em nosso Flickr.

No Estudio Manus, algumas peças trazidas de Burma:








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