Ligeiramente cansado de tanto riso óhh, tanta alegria e de mais de mil palhaços no salão, durante o feriado de carnaval fui para Arceburgo, Minas Gerais, cidade sobre a qual quase ninguém nunca ouviu falar.
Encontrei paz, tutu de feijão feito no fogão a lenha e chuva, muuiiita chuva.
Depois de assistir dezenas de filmes P&B americanos dos anos 30/40 ( para mim os melhores da história do cinema; Michael Curtiz, William Wyler, George Cukor, John Ford, Orson Welles, Howard Hawks, Frank Capra, Billy Wilder, John Huston e outros que esqueci são imbatíveis...) o que fazer sob o céu que desaba?
Procurar cogumelos! Nas árvores, cercas e relva geladinha daquelas suaves montanhas a chuva e os sagrados minutos de sol fizeram nascer essas criaturinhas efêmeras.
Exemplos de delicadeza, desenho perfeito, arquitetura impossível...
Reuni-los e observar seus detalhes e nuances é uma pequena aula de cores e beleza.
Dá vontade de comer todos de uma vez, mas talvez aquela não era hora de experimentar uma droga nova.
O Museu da Casa Brasileira inaugurou uma exposição dia 3 de fevereiro de 2011 sobre o genial trabalho de Glória Coelho ao longo dos últimos 20 anos; "Glória Coelho_Linha Do Tempo" e o Estudio Manus teve o prazer em participar criando a cenografia.
Estão expostos 60 importantes modelos, a maioria deles apresentado em desfiles na SPFW incluindo 2 da edição de fevereiro do presente ano.
Criamos uma 'passarela - linha do tempo' com os modelos expostos cronologicamente, que se inicia no desfile dessa edição de 2011 e regride ao trabalho de Gloria Coelho nos últimos 20 anos.
Na imagem abaixo estão exemplos de nossos desenhos que nortearam o desenvolvimento do projeto:
Essa passarela se prolonga pelas tres salas principais do MCB, dando a impressão de um 'desfile'.
A seguir, imagens da exposição já montada.
Evitando interromper essa linha - passarela, ao passar pelas portas que interligam as salas os volumes que servem como expositores 'montam' nas paredes mantendo uma fina linha continua no piso, interligando os segmentos.
O vestíbulo do museu também foi ocupado com um grande volume quadrado bem na frente da porta de acesso a sala principal, sugerindo um 'bloqueio' dessa entrada. Na frente dele um outro grande volume longo e baixo onde estão expostos impressos, catálogos etc. para serem manuseados.
A Exposição pode ser visitada até dia 20 de março de 2011. Para horários e localização, consulte o site do Museu.
Conhecer cidades também significa encontrar lugares estranhos, insólitos e bizarros. Catacumbas em Paris, múmias em Palermo, Mercado de Amuletos em Bangkok.
Em São Paulo, um passeio divertido é conhecer a Rua das Noivas ( rua São Caetano ).
Numa espécie de museu de horrores do casamento, vitrines mega kitsch com mini vestidos roxos e magenta para madrinhas anãs, rendas e tules em exagero, casacas e fraques brilhantes e furta cor.
Numa dessas lojas, uma espécie de instalação com uma fila de noivos descendo uma longa escada, todos acorrentados e tentando sair dali, numa atitude estranhamente bizarra e divertida.
Mas casamentos também podem ser algo livre, feliz e bonito.
Tivemos o prazer de ajudar o casal H + B de realizar um assim. A festa foi feita numa antiga estrebaria próxima a Granja Viana ( Espaço Galileu), num lindo jardim, entre árvores e muita paz.
A maneira com que eles criaram um ritual muito próprio e emocionante, a simplicidade que buscaram na ambientação (executada pelo Estudio Manus), tudo resume a possibilidade de duas pessoas decidirem se amar e acreditar no futuro.
No novo espaço de Sonia Pinto em São Paulo (o lugar é lindo, numa rua tranquila (mapa) de Higienópolis, no sexto andar de um prédio uma bela surpresa...), apresentaremos nosso trabalho mais conceitual, na exposição 'preciosidades'.
Os participantes são Sonia Pinto, com roupas (bem, o que ela faz vai muito além, é um trabalho de absoluta elegância, minimalista e impecável... mas vamos chamar assim), Bettina Terepins, Kika Alvarenga, Liora Czeresnia, Miriam Mamber (joalheiras), Giovanna Kupfer (acessórios), Stela Barbieri e Estudio Manus (arte)
Começa nesse sábado 8 de agosto, e pode ser visitada até 15 de agosto de 2009.
Entre outras peças, apresentamos uma série de 5 "Paus Carvão", cada um agregando objetos garimpados, preciosos, que fazem parte de nossa pesquisa na busca de um caminho entre a arte e o design.
Usamos nessas peças, longos totens em madeira maciça carbonizada medindo 1,95 m de altura, objetos como espelhos de bronze (antiguidades de 130 anos japonesas, utilizados por geishas), volutas em madeira entalhadas a mão, chifres antigos fundidos em latão, pérolas, bordados do laos, delicadas taças antigas em cristal lapidado, um pequeno Buda nenê em cerâmica Showa japonesa de 1917 ...
Abaixo, algumas imagens dessa instalação.
Imagens de outras peças do Estudio Manus presentes na exposição 'preciosidades' podem ser visualizadas nesse link do Flickr. São luminárias feitas com chapéus infantis étnicos do Laos, além de assemblages com mapas e porcelanas, marionetes aquáticas de Hanói, tesouras de Burma, redomas, pedras....
Apesar dos 300 Kg de dinamite usados em sua implosão em 2002, do Presídio do Carandirú ainda restam alguns muros, fragmentos de construções arruinadas, torres lúgubres e uma sólida e triste memória.
Mas passando por ali, olhando para o lado oposto dessas ruinas (mapa), você pode encontrar mais uma pérola do kitsch urbano de São Paulo. Em frente ao enorme vazio do presídio semi demolido, está a grande loja de móveis "Sylvia Design". O interessante não está exatamente no mar de mesas, sofás e armários de certo desenho... bem... digamos... (deixa pra lá, afinal tem quem ame jaca assada), mas na enorme placa da fachada divulgando o lugar.
Com deliciosa imodéstia, Sylvia, dona do negócio (e de mais quatro assim), está estampada nessa placa como a Mulher Gato, numa pose provocante, pronta para o bote. Com sorriso duvidoso, algo entre o devorador e o sarcástico, veste uma negra roupa de látex justa, botas pontudas, luvas insinuando perigosas garras, Bat-Girl no melhor estilo Sexy Shop bem trash.
Numa dupla imagem espelhada, semi deitada medindo dezenas de metros de comprimento, ela não está nem aí para as leis de Cidade Limpa (sobre esse assunto o fotógrafo Tony de Marco tem registros interessantes da transição do excesso de outdoors para o nada).
Afinal ela é uma super heroína e pode tudo. De certa forma uma heroína dúbia. A Mulher Gato, aquela de antigamente, dos seriados de TV, era meio bandida, dava a impressão que queria devorar tudo (e principalmente todas) que encontrava pela frente. Até o Batman, que todo mundo sabe que naquele seriado preferia o Robin, ela tentava ...
Imitando Sylvia, se o Estudio Manus tivessemos esse tipo de divulgação em nossa modesta fachada, acho que os Super Heróis escolhidos seriam "Homem e Mulher Invisíveis", e mesmo assim só as cabeças dependuradas, o corpo inteiro não caberia ali...
Mas falando em Super Heróis, cabe lembrar do grande National Kid. Quem não teve a sorte de ser criança que assistia TV nos anos 60, não o conhece. Era um herói em preto e branco, num seriado japonês interminável. Num ambiente de subúrbio de Tokio, árido e plano com predinhos baixos e horríveis, o Bem era representado por crianças de várias alturas vestidas com uniformes de escola e pelo Sr. Honda (ou professor Massao?), único adulto do Bem. O Mal eram os Seres Abissais, uma turma que saia da boca de um gigantesco peixe das profundezas, o assustador Celacanto das antenas luminosas, e pelos Incas Venusianos, que vestiam uma espécie de fantasia de macaco com orelhas desproporcionais, que ao invés de voar podiam correr pelo ar. Sempre me pergunto se Incas + Venusianos é uma deturpação da tradução ou se alguém foi louco o suficiente para criar isso. Acho que haviam também outros representantes do Mal, mas eu esqueci.
Entre o Bem e o Mal, lá estava National Kid, na música de abertura era ''Nagionaurokidô", apenas com os poderes de voar e dar estrelas desajeitadas numas delicadas lutinhas com golpes sem violência, mas a memória daquela musiquinha de abertura e das aventuras absurdas nunca mais desgrudaram de mim.
Vários episódios do National Kid podem ser encontradas em DVD aqui.
A artista francesa , 97 anos , ao longo de sua vida produziu , e continua produzindo , uma obra sempre jovem, fresca , profunda . A editora Cosac Naify tem um livro muito interessante sobre ela , " Louise Bourgeois - destruição do pai, reconstrução do pai " . Mistura de biografia , entrevistas , críticas , conversas , opiniões . Belo livro .
Abaixo , ela em 1954 .
Suas Aranhas são talvez o segmento mais conhecido de seu trabalho , mas toda sua obra é completamente maravilhosa , vai muito além desses enormes insetos . Abaixo, pela ordem algumas dessas Aranhas no Guggeheim , na Tate e no ICA Boston.
Aqui em São Paulo uma dessas grandes esculturas faz parte do acervo permanente do Mam , no Ibirapuera . Infelizmente ela está numa prisão de vidro próxima a marquise , mas com a vantagem de sempre estar a vista . Abaixo , imagem do Flickr de Artexplorer .
E se for ao Mam (mapa ) , dê uma passada na exposição " Design Brasileiro Hoje : Fronteiras " , com curadoria de Adelia Borges , onde o Estudio Manus está presente com as peças abaixo.
E também o MoMA store de New York tem essas porcelanas aladas do Estudio Manus, no Destination Brazil Project.
Albert van der Eckhout foi um dos artistas naturalistas que retratou o Brasil , no século XVII , na Missão Holandesa de Nassau , no curto período da História que parte de nosso país foi colônia holandesa.
Entre paisagens , tribos indígenas , fauna , Eckhout retratou também frutas , em sofisticadas pinturas que remetem as naturezas mortas , que captam uma luz mágica , úmida , nuvens e frutas desconhecidas depois da tempestade tropical.
Fico imaginando ele arrumando aquelas frutas num calor louco, entre formigas gigantes e ruídos da floresta , conseguindo a côr exata , no meio do nada .
Cajamanga , seriguela , jatobá , jabuticaba , mamacadela , cagaita , araticum , umbú , pequi , taperebá ... , frutas nativas do cerrado e Norte / Nordeste brasileiro , muito brasileiras .
Muita curiosidade em conhecer , grande dificuldade de achá-las em São Paulo ... Mas em uma pequena sorveteria na Vila Mariana , a Sorveteria Frutos do Cerrado ( mapa e telefone ) , picolés com 50 sabores, muitos deles dessas frutas nativas , que preservam bastante o perfume e a surpresa , alguns super azedos, outros meio enjoativos, todos interessantes de se experimentar.
O lugar é meio sem charme , mas uma boa idéia é levar para casa vários deles ( os preços são ótimos , r$ 3,00 , e eles vendem um isoporzinho lá por r$ 3,50 ) .
E no mês de maio, inaugura uma nova casa da Sorveteria Frutos do Cerrado em Pinheiros, R. dos Pinheiros, 320, tel 11 5084-8014, das 11 às 23 horas (mapa)
No Estudio Manus , uma travessa em porcelana fosca com volutas barrocas , como sugestão para servir sorvetes de frutas nativas e blocos de gelo , imaginando uma natureza morta.